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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Por que acreditar?

Quatorze anos. É o tempo que levou para o basquete brasileiro voltar a ser notado... pelos brasileiros. Um sexto lugar nas Olimpíadas de Atlanta, 1996, foi o melhor resultado da seleção nesse período. Mas isso pode mudar.

Nesse intervalo de tempo, a chegada dos primeiros brasileiros à NBA mascarou um pouco a podridão interna do basquete nacional. Ao mesmo tempo que Nenê, Leandrinho e Varejão alcançavam o topo do basquete mundial, a seleção brasileira já acumulava duas Olimpíadas sem ser representada.

No Mundial de 2006, no Japão, o basquete brasileiro chegou ao fundo do poço. Foi quando o time, bi-campeão mundial, fez a pior campanha de sua história, ficando na 19º posição, em uma competição de 24 seleções. E as nossas “estrelas” de NBA estavam em quadra.

Depois de críticas e boicotes à liga nacional, a CBB passou por mudanças políticas. Em 2009, uma nova liga foi estruturada e treinadores estrangeiros passaram a implantar sua filosofia na seleção brasileira, uma vez que os brasileiros não foram competentes o bastante para, sequer, manter um grupo unido durante uma competição.

Hoje, a seleção vive seu melhor momento desde Atlanta. Venceu a Copa América de 2009 (torneio classificatório para o Mundial) e se classificou bem no grupo mais difícil da competição. Tem um técnico campeão olímpico e tem um grupo unido e focado no objetivo: jogar com raça.

Nesta terça-feira, oitavas-de-final contra a melhor seleção do planeta, de acordo com o ranking da FIBA. Campeões olímpicos de 2004. Então, por que acreditar que o Brasil avançará às quartas-de-final?

Alguns motivos me fazem pensar que os hermanos voltarão para casa amanhã. Primeiro, a ausência de, talvez, o melhor jogador da história dos portenhos, Manu Ginóbili, e também a de Andrés Nocioni. Ambos jogam na NBA. Sem eles, restam “apenas” Luis Scola, o cestinha da competição até o momento, e Carlos Delfino, ambos da NBA, como destaques da equipe. E os - bons - números dos dois são relativamente enganosos, uma vez que o grupo da Argentina foi talvez o mais fraco.

Mas os motivos mais importantes estão do lado de cá do Rio Uruguai. Como mencionado, a Argentina venceu os Jogos Olímpicos de Atenas, treinada por Ruben Magnano. Hoje, ele treina o Brasil. Outro grande motivo é o elenco brasileiro. Apesar de não contar com Nenê, o grupo, que joga junto há anos, conta com jogadores em seu auge técnico, como Leandrinho, Varejão, Marcelinho e Huertas. Splitter, considerado por muitos o melhor jogador do planeta fora da NBA até o fim desta última temporada, é o melhor jogador do time e não me atrevo a dizer que está em seu auge. Ainda acho que ele crescerá muito e terá o destaque que merece nos EUA.

O Brasil está forte e motivado. Jogar contra a Argentina, no dia em que se comemora nossa independência, já é combustível o bastante para os jogadores suarem sangue amanhã em Istambul. Perder para a número um do mundo não será demérito, mas vencê-la será histórico. Será o marco da mudança para melhor do basquete no Brasil. E eu acredito que serei testemunha desse marco.

domingo, 25 de julho de 2010

Contador é tri-campeão do Tour de France

Au revoir, Tour!

Chegou ao fim neste domingo a 97ª edição do Tour de France, uma das edições mais emocionantes da história. Pela terceira vez (segunda consecutiva), o espanhol Alberto Contador (equipe Astana, foto acima) foi o grande vencedor, mesmo sem ter vencido sequer um estágio, completando o percurso em 91h 58min 48s.

Também pelo segundo ano seguido, o luxemburguês Andy Schleck (Saxo Bank) foi o vice-campeão, mas diminuindo consideravelmente sua diferença para o espanhol. Em 2009, ele chegou mais de quatro minutos atrás, sem vestir a camisa amarela em nenhuma oportunidade. Este ano, sua diferença foi de apenas 39 segundos, além de ter sido dono da camisa amarela por seis estágios. A diferença foi a quinta menor da história do Tour.

Confira os momentos-chave da semana, que definiram o tri-campeonato do espanhol.

Segunda-feira, estágio 15

Uma grande surpresa estava guardada para a segunda-feira. E uma das mais infelizes para o jovem Schleck, até então dono da camisa amarela. Em suma, durante a última meta de montanha do dia, o Port de Balès (HC, 1.755m de altitude), o luxemburguês começou um ataque a Contador, assim como o espanhol o fizera na sexta-feira. Quando se distanciara alguns metros de seu concorrente, a corrente da bicicleta de Schleck se soltou. Talvez pela empolgação de estar fazendo um ataque decisivo, ele tenha pedalado ao mesmo tempo que mudou a marcha, causando o problema. Ou talvez foi apenas azar. Acontece. Quem mais se aproveitou disso foi Contador. Ele disparou enquanto Schleck e os membros da Saxo Bank, sua equipe, recolocavam a corrente. Foram segundos preciosos. Pelo segundo dia seguido, um francês que estivera na fuga levou a etapa. Foi Thomas Voeckler (Bbox). Contador, Sanchez e Menchov cruzaram 2:50 minutos mais tarde. Schleck fez o que pôde, mas só cruzou a linha 39 segundos depois dos três concorrentes. A camisa amarela voltava às mãos do atual campeão.

Quinta-feira, estágio 17



Após a folga de quarta-feira, os ciclistas retornaram para um dos estágios mais duros desta edição, saindo da cidade de Pau, passando por duas metas de montanha de categoria 1, e cruzando a linha de chegada em uma meta de montanha fora de categoria, o temido Col Du Tourmalet (clique aqui e veja fotos dos 100 anos do Tourmalet no TDF). Era consenso que seria a última oportunidade de Schleck tirar os oito segundos de atraso que tinha em relação a Contador, pois sabe-se que o rapaz não faz contra-relógios tão bons quanto Contador. Começando a escalada do Tourmalet, muitos tentaram atacar para vencer a etapa, mas ninguém suportou, além do líder e vice-líder. A 10km da chegada, Schleck atacou e se destacou do pelotão. Contador foi na roda. Os dois não foram mais alcançados e travaram, novamente, um duelo épico. Nem a neblina, nem a chuva e nem os milhares de espectadores que estreitavam a estrada, diminuíram o ritmo dos dois. Ao fim, eles chegaram juntos, com Schleck à frente. Mesmo sem tirar a diferença, Schleck não deixou de comemorar a vitória no estágio e parabenizar Contador (foto acima).


Sábado, estágio 19

A definição do título aconteceu ontem, no contra-relógio de 52 km entre Bordeaux e Pauillac. O vencedor, assim como no contra-relógio que abriu o Tour deste ano, foi o suíço Fabian Cancellara (Saxo Bank), considerado por muitos imbatível em contra-relógios na atualidade. Ele levou 1h00min56s para concluir o percurso. Em segundo lugar, também como aconteceu no prólogo do dia 3, ficou o jovem alemão Tony Martin (HTC Columbia), 17 segundos atrás. Dos quatro ciclistas que ainda disputavam a camisa amarela, o mais bem colocado foi o russo Denis Mecnhov (Rabobank), com 3min51s de atraso, sendo o 11º melhor tempo. Sua colocação lhe garantiu uma posição no pódio geral, pois ultrapassou o espanhol Samuel Sanchez (Euskaltel) e terminou em terceiro lugar geral. Na briga entre Contador e Schleck, a diferença foi menor que a prevista por muitos. Com um ótimo desempenho, Schleck levou apenas 31 segundos a mais que Contador para completar o percurso.

Para maiores detalhes de cada estágio da semana, clique aqui.

Resultados finais – site oficial: www.letour.fr/

Camisa amarela – líder geral

1º - Alberto Contador, Astana (91h 58min 48s)
2º - Andy Schleck, Saxo Bank (91h 59min 27s)
3º - Denis Menchov, Rabobank (92h 00min 49s)

Camisa verde – líder por pontos

1º - Alessandro Petacchi, Lampre (243 pontos)
2º - Mark Cavendish, HTC Columbia (232 pontos)
3º - Thor Hushovd, Cervelo (222 pontos)

Camisa branca – líder entre ciclistas até 25 anos

1º - Andy Schleck, Saxo Bank (91h 58min 48s)
2º - Robert Gesink, Rabobank (92h 08min 19s)
3º - Roman Kreuziger, Liquigas (92h 10min 42s)

Camisa branca com bolinhas – melhor escalador

1º - Anthony Charteau, Bbox (143 pontos)
2º - Christophe Moreau, Caisse d’Espargne (128 pontos)
3º - Andy Schleck, Saxo Bank (116 pontos)

Equipes

1º - Radioshack, EUA (276h 02min 03s)
2º - Caisse d’Espargne, Espanha (276h 11min 18s)
3º - Rabobank, Holanda (276h 29min 52s)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A seleção natural nos Alpes franceses


Professores de biologia da oitava série deveriam sempre usar a segunda semana do Tour De France para exemplificar o conceito de seleção natural.

Depois de uma semana onde os sprinters (velocistas) fizeram a festa e ganharam todos os estágios, o Tour passeou pela fronteira da França com a Suíça, ou seja, exatamente na cadeia de montanhas que separa as duas nações. As subidas castigaram os sprinters, mas filtraram bem a disputa pela camisa amarela. “Só os mais fortes sobrevivem.”

Vamos ao que aconteceu em cada dia dessa semana.

O primeiro desafio dos ciclistas nos Alpes franceses partiu de Tournus no último sábado, percorrendo 165,5 km até Station des Rousses. Os sprinters não resistiram às fortes subidas de categoria 2 (veja no pé da postagem uma explicação das categorias de subida) e passaram a ocupar a rabeira do pelotão. O então líder geral Fabian Cancellara (Saxo Bank) entrou no sétimo estágio com 20 segundos de frente, mas terminou a etapa com mais de 14 minutos de atraso. O francês Sylvain Chavanel (Quick Step), que havia se desgarrado do pelotão durante o estágio, suportou bem a subida e não foi alcançado pelo restante do grupo. Ele colocou uma ótima diferença de 57 segundos para o segundo colocado e cerca de 1:40 para o pelotão. Muita festa na chegada em Station des Rousses, ao ver um francês vencer o estágio e pegar a camisa amarela.

Chavanel herdara a camisa da mesma forma que no estágio 2, ou seja, apostando todas as fichas em uma fuga e não foi alcançado após isso. Mas ele também a perdeu exatamente da mesma maneira. Duas subidas de categoria 1 foram suficientes para fazer o francês chegar mais de 11 minutos atrasado. Para a tristeza de sua legião de fãs, Lance Armstrong (Radioshack) sofreu duas quedas durante o percurso e praticamente deu adeus ao sonho do oitavo título do Tour. O grupo que contava com o atual campeão do Tour Alberto Contador (Astana), o atual campeão mundial Cadel Evans (BMC) e o jovem Andy Schleck (Saxo Bank) chegou inteiro para os quilômetros decisivos - uma subida - mesmo depois das fortes subidas anteriores. Ousado, o luxemburguês Schleck não temeu os campeões e pedalando forte conseguiu vencer a etapa, com 10 segundos de frente para os dois. Como estava 30 atrás de Evans na classificação geral, o australiano ficou com a amarela e Schleck em segundo. Contador, no terceiro posto, teve 1:41 de atraso.

Na segunda-feira, descanso. Porque no dia seguinte...

Duas subidas de categoria 1 e uma HC esperavam pelos ciclistas nos 204,5 km entre Morzine-Avoriaz e Saint-Jean-de-Maurienne. Pelo terceiro estágio consecutivo a camisa amarela mudou de mãos. Evans também não suportou as subidas e levou oito minutos de atraso para cruzar a linha. Ele chorou horrores ao terminar a prova. Mas o grande momento do dia foi protagonizado por Schleck e Contador. Durante a escalada de 27 km na subida do Col de la Madeleine (2.000m de altitude), os dois travaram um duelo épico. Não temendo a falta de perna nos quilômetros finais, eles subiam com toda a força, se atacando e alternando posições a todo instante. No fim, a briga entre os dois continuou, mas quem levou a etapa foi um dos que haviam se desgarrado do pelotão no início da etapa, o francês Sandy Casar (Française des Jeux). Schleck e Contador chegaram dois segundos depois, juntos. Com o atraso de Evans, Schleck ficou com a camisa amarela e Contador, 41 segundos a mais, ficou em segundo.

No décimo estágio, um percurso metade plano, metade montanhoso, mas com apenas uma subida de categoria 1 muito curta. Após uma etapa duríssima no dia anterior, as equipes concordaram em adotar uma estratégia comum: abdicar de alcançar a fuga e manter um ritmo único para o pelotão. Ninguém queria se expor a maiores riscos. Isso facilitou a vida dos seis atletas da fuga. O vencedor foi o português Sergio Paulinho (Radioshack), sendo o primeiro português a vencer uma etapa do Tour desde 1989. Após Paulinho cruzar a linha, o pelotão levou mais de 14 minutos para fazer o mesmo. Nenhuma alteração na classificação geral.

No estágio 11, uma interrupção nas metas de montanha. Os sprinters agradeceram! Com apenas uma “mera” subida de categoria 3 no princípio do percurso, sobravam cerca de 130 km de estradas planas, ou até mesmo leves declives. Assim como na primeira semana, várias equipes protagonizaram uma bela disputa nos dez quilômetros finais, visando trazer seus sprinters para a reta final. Mas ninguém melhor para vencer do que sprinter mais veloz do planeta, o britânico Mark Cavendish (HTC Columbia). Com outro sprint final extraordinário, ele conseguiu colocar uma vantagem de duas bicicletas para o segundo colocado e vencer seu terceiro estágio no Tour deste ano. Mas nada que mudasse muita coisa na disputa pela camisa amarela.

Na sexta-feira, um estágio em sua maioria plano, mas com uma subida de categoria 2 e quase 10% de inclinação na pior colocação possível – nos cinco quilômetros finais. O pelotão só foi alcançar a fuga depois de 205 km, nessa subida final, o Col de La Croix Neuve. Ali, Contador e Schleck ainda se encontravam juntos, em ritmo baixo, mas o atual campeão “deu o bote” e pegou o jovem Schleck de surpresa. O espanhol se desgarrou do pelotão na subida e Schleck não teve pernas para persegui-lo. Com o ataque, Contador chegou até a ultrapassar o líder do estágio, o compatriota Joaquin Oliver Rodriguez (Katusha), porém, depois de um ataque como aquele, Contador foi presa fácil para Rodriguez no sprint final. Shcleck chegou dez segundos depois e manteve a camisa amarela. Mas a diferença dele para Contador caiu para apenas 31 segundos. Em uma semana inteira, é pouco provável que o espanhol não faça essa diferença evaporar facilmente.

De leste a oeste, o Tour chega agora à cadeia de montanhas que separa França e Espanha. Os temidos Pirineus. Após uma etapa plana neste sábado, de domingo a quinta-feira (com folga na quarta-feira), o grupo encontrará muitas subidas de categorias 1 e HC. Após o estágio 17, as coisas se tranqüilizam, com uma etapa plana, um contra-relógio que certamente será o diferencial para a definição do campeão e, no domingo, um dia de festa em Paris, onde quem estiver vestido de amarelo ao cruzar a Champs-Élysées, será aclamado o grande campeão do Tour de France 2010.

Categorias de subidas



No TDF, as subidas são categorizadas por, entre outros fatores*, sua inclinação. São quatro categorias onde quanto menor o número, mais íngreme é a subida. Há também as subidas que alcançam mais de 1.500 m que não se encaixam nessas categorias e são chamadas de HC (“hors catégorie” no francês, “fora de categoria” no português).

- Categoria 4: a menor, com subidas que culminam em alturas de 70 a 150m;
- Categoria 3: subidas de 150 a 500m;
- Categoria 2: subidas de 500 a 800m;
- Categoria 1: subidas de 800 a 1500m;
- Fora de categoria (HC): as maiores, com subidas de 1500m para cima.

* Não apenas a inclinação define a categoria de uma subida, o que pode fazer com que algumas subidas não sigam os padrões de altitude supracitados. Para um entendimento meramente superficial, entenda-se que, quanto menor a categoria, mais pesada é a subida.

sábado, 10 de julho de 2010

Uma semana louca. Uma semana emocionante

O britânico Mark Cavendish celebra sua vitória no 6º estágio, nesta sexta-feira

É hora de subir a serra!

Chega ao fim a primeira semana da competição ciclística mais importante do planeta, o Tour de France. Por mais que nós ciclistas, amadores ou profissionais, saibamos enxergar emoção em cada etapa de Le Tour, estou certo de que nenhum de nós esperava uma primeira semana tão frenética.

Primeiro porque a maioria dos trajetos destas seis primeiras etapas e do prólogo que abriu a competição no último sábado deu-se em regiões planas. Quase sempre é chato acompanhar o pelotão andando em um ritmo imutável durante 190 km, se guardando para os 10 km finais. As etapas desta semana mostraram o porque do "quase sempre."

Nada de anormal no primeiro dia. No último sábado, disputou-se um contra-relógio de 8,9 km em Roterdã, na Holanda. O melhor tempo ficou com o suíço da equipe Saxo Bank Fabian Cancellara, que concluiu o percurso em dez minutos e ficou com a camisa amarela (indicação do líder geral do Tour). Entre os melhores tempos, ficaram os do americano e lenda viva do esporte Lance Armstrong (equipe Radioshack), 22 segundos atrás de Cancellara, e do atual campeão, o espanhol Alberto Contador (equipe Astana), 27 segundos atrás.

Já o segundo dia – Estágio 1 - trouxe algumas dolorosas surpresas aos competidores, mesmo sendo totalmente plano. Para começar, nos primeiros dos 223 km entre Roterdã e Bruxelas, na Bélgica, um cão invadiu a rodovia bem na frente do pelotão, causando a queda de alguns ciclistas e a quebra parcial do pelotão. Tudo bem, nada tão sério. O pior estava para o final. Talvez pelo excesso de vontade, três quedas bagunçaram os últimos quilômetros da prova. Todas as estratégias planejadas pelos chefes de equipe para o sprint final foram por água abaixo e a vitória na etapa “sobrou” para o italiano Alessandro Petacchi (Lampre). A camisa amarela não mudara de mão, pois a diferença de dez segundos entre Cancellara e o segundo colocado não foi superada.

O segundo estágio dava mostras de que não seria fácil. Os 201 km entre Bruxelas e Spa, ainda na Bélgica, começavam planos e terminavam com subidas e descidas – as chamadas etapas de montanha. Para piorar, o verão belga é chuvoso e uma leve garoa deixou a estrada como manteiga. Não deu outra: quedas! Uma delas, generalizada, que acabou com o pelotão em uma estreita curva. O francês Sylvain Chavabel (Quick Step), que havia se destacado do pelotão no início da etapa, não tinha nada com isso e aproveitou para assumir a ponta isoladamente e colocar uma diferença de quase quatro minutos entre ele e o pelotão. Camisa amarela para ele, três minutos de dianteira na classificação geral. Em forma de protesto e solidariedade com os atletas acidentados, o pelotão chegou aos metros finais da etapa sem disputar posições através do sprint final, ficando todo o grupo com o mesmo tempo.

Etapa plana e céu limpo no quarto dia. Promessa de tranqüilidade, correto? Nada disso! Saindo de Wanze, Bélgica, o grupo percorreu 213 km até Arenberg Porte du Hainaut, França, e muita gente beijou o chão. Apesar de plana, a etapa possui trechos de pequenas estradas com calçamento (chamadas pavé, em francês), motivo maior das quedas e dos furos de pneu. A menos de 20 km da chegada, em um trecho estreito, outra grande queda generalizada no meio do pelotão. Um dos favoritos, Frank Schleck (Saxo Bank), teve contusão séria nessa queda e abandonou o Tour, com cirurgia no ombro programada para o mesmo dia. O pavé estragou a bicicleta de muitos, entre eles o sortudo do dia anterior, Chavanel, que trocou de bicicleta duas vezes. O impensável, então, aconteceu: a diferença de três minutos que o francês conseguira no dia anterior simplesmente evaporou e ele conseguiu ficar com um minuto de atraso, dando adeus à camisa amarela. Contando desta vez com o sprint final, o norueguês Thor Hushovd (Cervelo Test Team) venceu. Cancellara conseguiu chegar junto com os sprinters e, com o atraso de Chavanel, recuperou a camisa amarela.

Nas etapas seguintes, nada de novos grandes tombos que atrapalhassem o pelotão e muita retidão. Emoção apenas nos sprints finais e na disputa das equipes pelas primeiras posições. Cancellara mantém a camisa amarela até o momento, com 20 segundos de frente para o segundo colocado. Mark Cavendish finalmente mostrou a que veio, vencendo os estágios de quinta e de sexta-feira, mas não se sabe se ele se sairá tão bem nas montanhas, pois sua especialidade são os sprints.

Daqui pra frente, o bicho vai pegar. Chega de etapas planas, pois é hora de subir a serra! Começando neste sábado com o sétimo estágio, até o décimo-sétimo estágio em 22 de julho, haverão muitas (eu disse muitas!) etapas de montanha, onde apenas os mais resistentes conseguirão vencer. É aí que se espera que os grandes favoritos como Armstrong e Contador realmente mostrem sua capacidade, pois até agora, muitas surpresas dominaram a parte de cima da classificação geral.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Flamengo força quinto jogo na final do NBB



Com uma facilidade atípica deste grande clássico que decide, pelo terceiro ano seguido, o campeonato nacional, o Flamengo derrotou o Brasília no quarto jogo da melhor de cinco por 94 a 74, no Rio de Janeiro. As duas equipes voltam a se enfrentar neste domingo (6), às 10h da manhã, com transmissão ao vivo pela Rede Globo.

Devido à briga generalizada entre jogadores do Flamengo e torcedores do Brasília no jogo três da série, no Distrito Federal, o ginásio Nilson Nelson foi interditado e o quinto jogo da série será realizado no município de Anápolis (GO), no ginásio Newton de Faria. Anápolis fica a cerca de 150 km de Brasília. O Nilson Nelson tem capacidade para 25 mil espectadores. O Newton de Faria, apenas 6 mil. Jogo completamente neutro no domingo, infelizmente.

Os atuais bi-campeões brasileiros estavam em uma tarde inspirada, ao passo que, para o Brasília, absolutamente nada dava certo. Nem mesmo a precoce ida de Marcelinho, principal estrela do Flamengo, para o banco por excesso de faltas fez com que os candangos recuperassem o déficit. Para sorte do time da casa o irmão de Marcelinho também faz parte do grupo. Duda acertou cinco bolas de três pontos, somando 20 pontos na partida, e foi o responsável pela fácil vitória do Fla.

O último quarto de jogo foi o grande divisor de águas. Uma cesta de três do armador Valtinho, no estouro do cronômetro do terceiro quarto, deu esperanças para o Brasília, pois deixava a diferença em apenas dez pontos para começar o último período. Mas as principais estrelas da equipe da capital não estavam com a mão calibrada. Nenhum fez mais que sete dos 18 pontos do time no quarto. A estrela Alex cometeu duas faltas ainda na primeira metade do quarto e teve de deixar a quadra, pois estourou o limite de cinco faltas. As duas marcações foram muito contestadas pelo treinador Lula Ferreira e com razão.

A decisão fica para a manhã de domingo, com transmissão em rede nacional, em TV aberta. Bom para o basquete brasileiro.

Destaques

Flamengo


Duda - 20 pontos, 9 assistências
Jefferson - 18 pontos
Teichmann - 17 pontos
Vagner - 16 pontos, 7 rebotes

Brasília


Guilherme Giovannoni - 18 pontos
Valtinho - 14 pontos, 7 rebotes
Alex - 12 pontos, 5 rebotes

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Magnano convoca seleção para o Mundial da Turquia

Na manhã desta quinta-feira (27), o treinador da seleção brasileira de basquete, o argentino Rubén Magnano, divulgou a lista de convocados que representarão o Brasil no Mundial da Turquia, a Copa do Mundo da FIBA.

A convocação foi dividida em dois grupos. O Grupo 1, composto de 24 atletas, disputa durante julho alguns amistosos e, no início de agosto, o 44º Campeonato Sul-Americano. O Grupo 2, com nove atletas e dois convidados, é o principal. Ele disputa quatro pequenos torneios em agosto e viaja para a Turquia no final do mesmo mês.

Magano explica a convocação.

- Mesclamos jovens com experientes nesta convocação, mas ela não está totalmente fechada ainda, qualquer jogador pode ser convocado ainda, dependendo das nossas necessidades. Estamos com um excelente grupo, vamos fazer uma grande preparação e um grande trabalho.

Vanderlei Mazzuchini Jr., diretor da comissão técnica da seleção, também falou sobre a lista.

- Após atenta observação, o técnico Rubén Magnano convocou grandes jogadores que, com certeza, farão um excelente trabalho na seleção. Além de atletas experientes, poderemos observar quem vem mostrando potencial para defender a camisa do Brasil.

Veja as duas listas de convocados, seguidas da programação da seleção até o início do Mundial, em 28 de agosto:

Grupo 1

NOME – POSIÇÃO – IDADE – ALTURA – CLUBE – NATURAL
Fabrício de Melo – Pivô – 18 anos – 2,13m – Sagemont High School (EUA) – MG
Hátila Passos – Pivô – 23 anos – 2,12m – Marinos (VEN) – RJ
Murilo Becker – Pivô – 26 anos – 2,11m – Minas Tênis Clube (MG) – RS
Rafael Ferreira – Pivô – 21 anos – 2,09m – São José dos Campos (SP) – SP
João Paulo Batista – Pivô – 28 anos – 2,08m – Le Mans (FRA) – PE
Paulo Prestes – Pivô – 22 anos – 2,08m – CB Murcia (ESP) – SP
Rafael Hettsheimer – Pivô – 23 anos – 2,08m – Xacobeo Blu Sens (ESP) – SP
Bruno Fiorotto – Pivô – 25 anos – 2,08m – Tenerife Rural (ESP) – SP
Marcus Vieira “Marquinhos” – Ala – 25 anos – 2,07m – Sutor Basket Montegranaro (ITA) – RJ
Lucas Cipolini – Pivô – 23 anos – 2,06m – Byu Hawai (EUA) – SP
Augusto Lima – Pivô – 18 anos – 2,06m – Unicaja (ESP) – RJ
Carlos Alexandre Nascimento “Olivinha” – Ala – 26 anos – 2,02m – Pinheiros (SP) – RJ
André Stefanelli – Armador – 25 anos – 1,97m – Paulistano (SP) – SP
Jonathan Tavernari – Ala – 22 anos – 1,96m – ala – Byu Utah (EUA) – SP
André Luiz Goes – Armador – 23 anos – 1,95m – Joinville (SC) – SC
Arthur Belchior – Armador – 27 anos – 1,95m – Universo (DF) – DF
Audrei Parisotto – Armador - 24 anos – 1,94m – Joinville (SC) – SC
André Luiz Brugger – Armador – 28 anos – 1,92m – Joinville (SC) – RJ
Carlos Cobos – Armador – 21 anos – 1,92m – Clinicas Rincon Axarquia (ESP) – SP
Eduardo Machado – Armador – 27 anos – 1,91m – Flamengo (RJ) – RJ
Vitor Benite – Armador – 20 anos – 1,90m – Franca (SP) – SP
Fúlvio Chiantia – Armador – 28 anos – 1,87m – São José dos Campos (SP) – SP
Wellington Santos – Armador – 29 anos – 1,85m – Universo (DF) – SP
Hélio Lima – Armador – 28 anos – 1,84m – Flamengo (RJ) – RJ

Grupo 2

NOME – POSIÇÃO – IDADE – ALTURA – CLUBE – NATURAL
Anderson Varejão – Pivô – 27 anos – 2,11m – Cleveland Cavaliers (EUA) – ES
Tiago Splitter – Pivô – 25 anos – 2,11m – Caja Laboral (ESP) – SC
Maybyner Hilário “Nenê” – Pivô – 27 anos – 2,11m – Denver Nuggets (EUA) – SP
Guilherme Giovannoni – Ala/armador – 29 anos – 2,04m – Universo (DF) – SP
Alex Garcia – Ala/armador – 30 anos – 1,91m – Universo (DF) – SP
Leandro Barbosa – Armador – Phoenix Suns (EUA) – SP
Marcelo Huertas – Armador – 26 anos – 1,91m – Caja Laboral (ESP) – SP
Valter Apolinário – Armador – 33 anos – 1,85m – Universo (DF) – SP
Marcelo Machado – Ala/armador – 34 anos – 2,00m – Flamengo (RJ) – RJ
CONVIDADOS
Jordan Burger – Ala – 19 anos – 2,03m – Sevilla Cajasol (ESP) – SC
Raul Togni Neto – Armador – 17 anos – 1,80m – Minas Tênis (MG) – SP

Calendário Seleção – Grupo 1

Apresentação em São Paulo - 24 de junho
Amistosos com Uruguai – 9 e 10 de julho
Amistosos na Venezuela – 22 e 23 de julho
44° Campeonato Sul-Americano – 26 a 31 de julho
Amistosos Argentina – 2 a 5 de agosto

Calendário Seleção – Grupo 2

Apresentação no Rio de Janeiro – 19 de julho
Super 4 , em Brasilia (DF) – 7 e 8 de agosto
Torneio Nike, em Nova York (EUA) – de 11 a 13 de agosto
Torneio da Espanha, em Logrono – de 15 a 17 de agosto
Torneio da França, em Lyon – de 22 a 24 de agosto
16° Campeonato Mundial da Turquia, Istambul – de 28 de agosto a 12 de setembro
 
Jornalismo PUC-MG - Turma 1º/2010